Imagem capa - Posicionamento de marca: a recolocação do fotógrafo em um novo mercado por Elysée Nyland
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Posicionamento de marca: a recolocação do fotógrafo em um novo mercado

Algumas pessoas são bem apegadas as raízes, lugares ou pessoas. Eu nunca tive esse problema, pois sei que para o lugar eu posso voltar e as pessoas podem me visitar, ao menos as que se importam. Sou bem pouco apegada a bens materiais e esse desprendimento foi essencial para a minha recolocação profissional em outro estado e o posicionamento de marca como fotógrafa.

Eu venho de uma cidade cheia de fotógrafas maravilhosas que estão em um alto nível da fotografia newborn, especialmente. Um mercado desafiador que me trouxe muitas experiências. Precisei pegar todos os aprendizados e trazer para uma cidade litorânea em que faz calor 100% do ano o oposto da realidade na serra gaúcha.

O que quero compartilhar hoje, tem a ver com a gestão de marca em qualquer lugar que o fotógrafo esteja, como o marketing de relacionamento pode facilitar essa transição e como definir o posicionamento de marca de acordo com a realidade local.

1. Estudar o mercado e se readequar


É muito importante dedicar um tempo para entender o mercado e fazer ajustes para se adaptar em novas situações. E foi o que eu fiz. Estudei as pessoas que faziam a mesma coisa que eu, identifiquei o estilo dessas pessoas.

Com a pesquisa de mercado, descobri que havia apenas uma pessoa que fazia um trabalho no mesmo estilo que o meu. O fotógrafo deve chegar no lugar e ver o que tem ou já é feito.

Dessa forma, eu descobri que Maceió era um mercado em potencial, especialmente para mim! Havia muitas grávidas e um espaço a ser ocupado por profissionais da fotografia com o meu perfil. Estabeleci meu foco para divulgar isso cada vez mais.

2. Locar um espaço


Em todos os anos como fotógrafa, eu trabalhei de forma bem diferente no Rio Grande do Sul.

Mas cumprindo a etapa anterior (da pesquisa de mercado), eu entendi que não conseguiria fazer o  mesmo tipo de trabalho que fazia no Sul: ir até a casa do cliente.

O Rio Grande do Sul é conhecido por ser frio e esse foi um dos motivos para que eu decidisse atender minhas clientes no conforto de suas casas. Também foi dessa forma que eu consegui gerar um fator de diferenciação para minha fotografia, algo que eu busco constantemente.

Funcionou muito bem. No Sul.

Aqui é impossível fazer isso, porque a cidade é muito grande para oferecer o ensaio em casa. Além disso uma cidade litorânea é sinônimo de areia. Dentro de uma casa, por mais que seja limpa, não é possível ter o controle da higiene, da areia e do ambiente como um todo.

No meu espaço eu tenho 100% de controle sobre a limpeza e assepsia do lugar para garantir uma foto segura. Uma garantia que posso oferecer também é em relação à temperatura. O ambiente para um ensaio fotográfico newborn precisa ter o clima específico – com a umidade relativa e a temperatura certas.

Consigo minimizar as adversidades, “prever imprevistos” e ter o controle do início ao fim do ensaio fotográfico. Então alugar uma sala foi a primeira coisa que eu fiz depois de sentir a cidade.



3. Identidade fotográfica e alvos claros


Ter clareza do meu alvo e minha identidade dentro da fotografia, tornou o trabalho de construção de parcerias mais assertivo. Se eu sei “quem sou” consequentemente sei quem procurar como apoio.

Aprendi ao longo dos anos de fotografia que a gente não consegue fazer nada sozinho.

E quando decidi buscar parcerias estabeleci o critério de identificação. O que os meus parceiros são e fazem deve conversar com o meu produto.

Não tem como aliar uma marca bacana, de qualidade, que já tem anos de mercado com alguém que não faça um trabalho tão bom. As pessoas sempre associam!

Então é interessante ter clareza do que você representa dentro de um contexto mercadológico para poder também se posicionar em ter parcerias do mesmo nível. E foi exatamente isso que eu busquei dentro dessa região: destacar o meu trabalho através de parcerias, usando o marketing de relacionamento.

Entrar em contato com as pessoas que trabalham no universo que eu trabalho: materno-infantil.

Procurei pessoas que lidam com gestantes – médicas, doulas, parteiras, fisioterapeutas – através de uma rede de apoio. Me inseri nesse contexto de várias maneiras, fiz amizade com pessoas e estreitei laços. Durante esse processo, algumas estratégias acontecem (lembre que estamos falando de negócios) e então as coisas começam a fluir a partir desse momento.

4. Ser flexível e me relacionar com as pessoas


Flexibilidade é a palavra do momento. Quando alguém muda de lugar e precisa recolocar sua marca em outro estado, o caminho não pode ser outro: é preciso ser flexível.

A cada vez que eu tenho que fazer um fechamento que foge dos meus moldes, preciso parar e pensar em uma maneira de ser flexível naquela situação. Pode ser com o pagamento, numa proposta para uma parceira que ainda não conhece o meu trabalho a fundo ou de forma geral.

Até mesmo com os colegas fotógrafos é essencial. Essa é a peça que faz a engrenagem das estratégias funcionar.

E não adianta. A parte de se relacionar precisa ser feita, porque ninguém consegue fazer um trabalho online somente. Usar a internet ainda não é suficiente como forma exclusiva de alcance.

É imperativo se relacionar! Não pode ter vergonha de se expor.

Em algum momento o profissional deve conversar com as pessoas apresentando o seu trabalho: “olá, eu vim de outro estado, meu trabalho é assim”.

As pessoas conhecem e se encantam. Converse com quem for preciso sobre o seu trabalho, se conecte com as pessoas. Não é eficiente ficar apenas no Instagram, postando conteúdo e impulsionando. Se isso funciona? É claro, mas não deve ser somente isso.

A parte do marketing de relacionamento tem sido 80% do sucesso do meu negócio.


5. Ser associada ABFRN


A região onde estou não recebe cursos da minha área. Os cursos, eventos e a fotografia em si, são fortes em Recife.

Quando coletei as informações para definir meu plano de marketing nessa nova fase, percebi que havia muitos fotógrafos realizando ensaios fotográficos com poucas qualificações do nicho da fotografia newborn. Eu entendi que essa era uma carência.

Claro que há profissionais tão ou mais qualificados que eu, mas são poucos de acordo com minha pesquisa de mercado. E isso faz com que eu mantenha minha posição ainda mais firme, em apresentar meus princípios ao fotografar recém-nascidos e praticar a foto segura.

E acredito que esse foi o motivo mais forte para eu participar da Associação Brasileira de Fotógrafos de Recém-nascidos, para que justamente, essa questão de segurança seja cada vez mais cultural dentro da fotografia newborn.

Para que as pessoas entendam que é preciso sim procurar um profissional capacitado, e entendam quais as capacitações que esses fotógrafos devem ter. Isso vai transmitir uma segurança maior para as famílias que querem fazer esse tipo de sessão.

Outro ponto dessa ação, como estratégia, é a questão da autoridade. Premiações, qualificações e selos são referências de um profissional diferenciado, uma autoridade.

Por ter muitos anos de experiência dentro da fotografia, achei que era a hora certa de me associar e mostrar isso para o público geral (que ainda está sendo educado). O público do Alagoas é bem diferente do Rio Grande do Sul e ao perceber essas diferenças, consigo direcionar minhas ações para crescer.

Por fim, outros profissionais da fotografia podem se inspirar em fazer o mesmo e assim a cultura da foto segura será cada vez mais disseminada. Ter o selo não quer dizer que eu sou a única que faz uma fotografia segura, mas é uma garantia e funciona muito bem.

Estou vivendo em Maceió no estado de Alagoas e a minha percepção é de que as pessoas que vem para cá, são bem recebidas, a não ser que você tenha um negócio com potencial e outras pessoas se sintam ameaçadas (o que infelizmente acontece) e essa é uma parte que não está sendo fácil, confesso.

Eu estava acostumada em um local onde existiam parcerias e amizade entre as colegas de profissão. Ainda não sinto aqui a mesma coisa, mas esse é o próximo desafio, como profissional da fotografia, com tantos anos de experiência, alem de mentora tenho a obrigação de mudar essa realidade.

Vamos continuar essa conversa?